Revisão sobre as Normas Brasileiras Regulamentadoras de Água de Reuso

A situação dos recursos hídricos no Brasil e no mundo tem se apresentado crítica, por resultados de estudos feitos ao longo das últimas décadas. Se olharmos para o futuro, levando em conta a demanda atual, a quantidade crescente de pessoas nos grandes centros urbanos e a forma que se faz o uso da água, trazendo também a questão cultural, poderíamos deduzir que a crise hídrica que acontece em determinados períodos em algumas regiões, poderia se instalar e ser uma realidade irreparável.

Para profissionais da área, engenheiros ambientais, sanitários, químicos, e estudiosos, essa realidade é muito mais evidente que aos olhos de um cidadão comum, e mudanças estão sendo projetadas para que este cenário seja otimizado. A tecnologia existe para se alcançar as soluções, mas outro fator que vai andar lado a lado a tecnologia é a regulamentação.

As normas vigentes sobre a água de reuso são datadas do ano de 1997, pela ABNT 13.969. Fazem mais de 20 anos que se opera num mesmo padrão, este que não corresponde mais com a evolução da informação e tecnologia que ocorreram ao longo deste tempo.

Nos anos de 2017 e 2018 foi organizada uma comissão para revisar as normas sobre reuso de água em edificações. O propósito é de torná-las menos abrangentes, oferecendo mais controle dentro das operações, garantindo mais segurança ao usuário e regulamentando o uso de água reciclada nas edificações residenciais e comerciais. O projeto foi elaborado e finalizado em 2018 e o texto padrão foi encaminhado para aprovação.

Podemos notar por exemplo, por um comparativo, que a norma de 1997, ABNT 13.969, classifica em 4 os tipos da água de reuso, enquanto que a nova normativa indica que todos os tipos de reuso sejam concentradas num só padrão de qualidade.

Normas ABNT 13.969/1997

Classe 1: lavagem de carros e outros usos que requerem o contato direto do usuário com a água, com possível aspiração de aerossóis pelo operador, incluindo chafarizes.
Classe 2: lavagens de pisos, calçadas e irrigação dos jardins, manutenção dos lagos e canais para fins paisagísticos, exceto chafarizes.
Classe 3: reuso nas descargas dos vasos sanitários.
Classe 4: reuso nos pomares, cereais, forragens, pastagens para gados e outros cultivos através de escoamento superficial ou por sistema de irrigação pontual.

*Sem especificação

Projeto de nova normativa 2018

A nova norma sugere que sejam todos os usos concentrados num só padrão de qualidade.

Encontrar novas alternativas sustentáveis é a chave. É preciso conservar a água potável que temos para fins nobres, como para consumo humano e animal, e tratar a água usada para ser reutilizada em atividades que não necessitam de potabilidade, como nas descargas de vasos sanitários, limpeza de pisos e lavagem de carros, irrigação paisagística e sistemas de refrigeração a água.

Mas atenção: é importante que sejam consideradas as leis ou regulamentações de órgãos de cada região, estado e município sobre o reuso de água.

 

Fontes:

https://www.tratamentodeagua.com.br/reciclagem-agua-cresce-combate-crise/
ABNT 13969 – Tanques sépticos – Unidades de tratamento complementar e disposição final dos efluentes líquidos – Projeto, construção e operação (1997)
Projeto ABNT – Uso de Fontes Alternativas de Água Não Potável em Edificações (2018)

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